Possibilidade de Identificar, Antes dos Balanços, a Mudança dos Fundamentos das Empresas

A fraqueza de uma tendência secundária de alta, denotada pela queda nos preços de uma empresa cotada em Bolsa, pode antecipar problemas e mudanças estruturais nos fundamentos desta empresa.

Muitos pregam a dicotomia entre análise técnica, que busca, em síntese muito apertada, pontos gráficos interessantes de compra e venda, e a análise fundamentalista, que busca uma análise profunda e estrutural da empresa acompanhada (lucro, dívida, retorno sobre capital investido, etc).

Aceite a realidade. Pare de tapar o sol
com a peneira. 
Entretanto, o melhor é não fechar os olhos à realidade e tentar usufruir do melhor que existe entre estas duas escolas.

Já observamos alguns analistas de investimentos que tem esta visão do mercado, mas são poucos diante da imensidão de xiitas cegos pelo ego pessoal. (Aqui citamos a entrevista concedida pelo Christian Cayre, disponível no nosso canal do You Tube.) 


A análise técnica pode prever o futuro? 

- NÃO, isto não existe. A análise técnica pode identificar o melhor: as tendências de preços, que influenciam diretamente no psicológico dos investidores.





A análise fundamentalista pode te dar o "preço justo" de uma ação? 

- A resposta é ridícula, mas verdadeira. "Preço justo" pra quem, cara pálida? A ação vale o que ela está sendo cotada e ponto final. O resto é resto, é adivinhação, conjectura, notícias falsas ou atrasadas.


Ter a mente aberta ajuda a buscarmos o que de melhor existe nos dois campos. 


Um conhecido analista fundamentalista afirmou:

" - O preço de uma ação sempre seguirá os lucros" (Bastter)

Perfeito, concordo plenamente!

Agora a pergunta:

 - Como vou ganhar dinheiro com isto? 

Será que bastaria acompanhar uma empresa que fornece consistentes lucros ao longo do tempo ?

Vale lembrar que os balanços são o resultado pretérito de uma empresa, que já está precificado nas ações. 

Ou seja, já é passado. 

Qual garantia que a empresa continuará a dar lucros?

-NENHUMA.

Se a empresa ficar ruim e desvalorizar-se mais de 50%, isto mesmo, fazendo você perder mais da metade do dinheiro investido, dirão que é "risco do mercado". Dirão que deve haver diversificação! 

Certo, mas não dava pra cair fora antes?

Agora podemos fazer uma análise inversa. 

Sabedores que as maiores tendências de alta nos preços, tendências primárias e secundárias, estão sim lastreadas em bons fundamentos das empresas (lucro crescente, dívidas controladas e ROIC maior que a SELIC), podemos seguir as tendências de alta em bons ativos, mas com um porta de saída de segurança.

Continuaremos posicionados, nestes bons ativos, segundo a análise fundamentalista, mas sairemos dos mesmos ao primeiro sinal significativo de mudança de viés de alta.



Resumindo, a seleção de ativos a serem operados será dada pela análise fundamentalista, mas os pontos de entrada e saída serão dados por um sistema de trade seguidor de tendências.

Não resta dúvidas de que informações privilegiadas correm pelos "corredores" do mercado. 

As notícias negativas de uma empresa são sabidas por muitos, antes mesmo de serem divulgadas. 

Entretanto, os preços nunca encondem a verdade. Transmitem que algo de errado pode estar acontecendo.

Não estamos falando de volatilidade, mas sim de mudança de viés semanal (tendência secundária de alta).

Vejam exemplos de mudança de viés de preços e que seguiram a grandes desvalorizações e piora nos futuros fundamentos das referidas empresas.

Os pontos de saída e entrada marcados com setas são os sinais fornecidos pelo sistema de trade Hilo-Vieira Qualificado.

Eletropaulo em sua desvalorização de 72% desde o ponto inicial de fraqueza

Posteriormente o motivo da queda nos preços aparecem nos balanços.
LLIS3, até então com excelentes fundamentos, inicia a mudança de viés e já cai 45%,
desde o primeiro sinal de fraqueza 

Novamente, os posteriores balanços justificam o porque da queda. Mas esperar o porquê pode ser tarde demais.

VALID ON e sua queda de 32%.

Balanços mostram o porquê, acalentam o "coração",
mas não servem, sozinhos, para ganhar dinheiro

Qual a solução? 

- PRECAUÇÃO!

Siga as tendências secundárias, lastreadas em bons fundamentos de empresas, mas tenha a mão uma porta de saída de emergência, caso os preços oscilem mais do que uma mera volatilidade normal do mercado. Isto é sim uma antecipação de que momentos ruins podem estar a espreita.

Comentários

  1. Muito bom, Fernando!

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  2. Analise perfeita. Sempre acompanho seus trabalhos. Parabens!

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  3. Valeu mesmo Fernando,
    Mesmo para mim, que venho estudando e acompanhando o trendfollowing há mais de dois anos, e isso iclui todas as suas análises semanais, palestras, entrevistas e webnários, seus artigos sempre são interessantes e muito informativos, com alguma coisa inovadora.
    Por isso não paro de acompanhar...
    Grande abraço,
    Henrique Borges

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    Respostas
    1. Obrigado pelo feedback Henrique, muito bom saber que estou conseguindo agregar algo para outras pessoas.

      O blog é como um "roteiro de viagem", viagem esta que venho trilhando a cada dia. Logicamente, as novas experiências vão ditando o teor dos artigos, mas a linha mestre sempre permanece a mesma.

      Acho que quem mais aprende com o blog sou eu mesmo, na reflexão prévia aos artigos e no contato com outras pessoas.

      Abraço e sucesso!

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  4. Parabéns pela síntese e objetividade da matéria. Cooisa rara hoje em dia...

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  5. Belo artigo. Quando comecei a operar, optei pelas empresas mais sólidas, mas com o tempo a gente percebe que assim demora-se a chegar ao objetivo traçado. O equilíbrio citado no texto é o que busco utilizar. Nesses 7 meses está dando certo. :-)

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