Trade Systems e Backtests

Navegando pela net descobri este excelente site sobre o mercado financeiro, cujas lições e doutrina se encaixam perfeitamente com meu modo de operar.

www.senhordomercado.com.br

Abaixo, postarei um artigo do mesmo, intitulado:

Introdução aos Trade Systems e Back Tests 

Escrito por Paulo Nogueira

Nesse artigo vou abordar novamente uma questão um pouco mais técnica. Mas que povoa a mente daqueles que operam ações, embora boa parte não saiba sequer por onde começar a abordagem prática do assunto.

Acredito então que é hora de desmistificar o termo “trade system” e mostrar que esse negócio de mecanizar as operações é bem mais simples do que parece.

Trade Systems são nada mais do que regras de operação que dizem o que fazer em cada momento do trade, desde o início até o encerramento. As regras não precisam ser complexas e a maioria dos sistemas que geram bons resultados não vão além de alguns poucos indicadores que certamente você já ouviu falar. Isso supondo que já tenha estudado um pouco de análise técnica.

Como disse antes, sistemas são regras de operação e por esse motivo o seu desenvolvimento é indicado apenas para as pessoas que já operam há algum tempo através de corretoras e conhecem o básico das regras do mercado financeiro. Esse tipo de operador semi-iniciante em geral não possui um método de operação bem definido. Ele testa um pouco de tudo a cada nova operação, troca de médias móveis e osciladores a todo momento e não sabe quanto arriscar do seu capital a cada nova compra. A solução de todos esses problemas é simples, basta esse operador montar o seu primeiro Trade System!

Desenvolver um sistema de operação não é uma tarefa tão difícil. Para começar, o indivíduo deve escrever em um pedaço de papel tudo aquilo que passa pela sua cabeça antes de comprar e vender uma ação. O que ele pensa para decidir o papel que vai operar? Como decide o preço de entrada? Qual o objetivo esperado na venda? Em qual preço coloca os stops de ganho e perda? (Ahhh! você não usa stop de perda? Ok. Infelizmente esse artigo ainda não é pro teu bico, porém existem muitos outros aqui no Senhor Mercado que poderão te ajudar a chegar nesse nível).

Oba! Eu Já Tenho Idéia Das Minhas Regras De Operação!!


Regras, regras, muitas regras!!!

A melhor forma de aprender a montar e testar trade systems é, como poderei explicar… “montando e testando?” Isso! Não tem segredo; nessa área apenas a prática poderá lhe ensinar algo de útil. O grande trauma é que a prática mal conduzida pode levar à um sistema que aparentemente é bom, funciona no papel, mas destrói a tua conta quando utilizado no mundo real. Para resolver esse impasse a única solução é apelar para os importantes Back Tests.

Um Back Test não é nada mais do que aplicar o conjunto de regras em uma base com cotações históricas do seu ativo preferido para ver se os resultados prestam. Vamos supor um operador iniciante que goste de especular na bolsa de valores comprando e vendendo SHIT3. Ele consegue uma base de dados contendo os últimos cinco anos de negociação para esse ativo e de posse dessa informação, inicia a lição de casa, escrevendo de forma metódica o passo-a-passo que irá reger suas operações nesse papel:
1 – Uma vez por mês, sempre no dia útil mais próximo da data em que a lua está cheia, acontece a compra de 1 lote de SHIT3 no preço de abertura;
2 – Para gerenciar o risco, coloca um stop 2% abaixo da mínima desse dia;
3 – Como objetivo, coloca um stop-gain 5% acima do preço de fechamento desse dia;

Viram como é simples e rápido escrever as regras de operação para um bom sistema? Agora basta aplicar essas regras na base histórica de SHIT3 e avaliar várias estatísticas para decidir se o sistema vale a pena ou não. Certo? ERRADO!!

As Armadilhas do Back Testing
Se você realmente já opera há algum tempo (vai mentir pra mim pô?!) mas leu e aceitou pacificamente as regras acima, volte imediatamente e releia até encontrar três erros sutis e clássicos cometidos em back testing. Uma dica: não há problema algum em usar as fases da lua para decidir ponto de compra!

Caso não tenha descoberto os erros na primeira tentativa, ou segunda, terceira…. vamos à resolução e discussão desse quebra-cabeça. O que ocorre é que em cada uma das três etapas que regem o sistema acima existem incoerências no processo de decisão. Em cada passo são utilizadas informações que NÃO estarão disponíveis no momento em que a regra estiver sendo aplicada.
1 – Imaginem minuto a minuto o pregão do dia de lua cheia quando ocorrerá a compra. O mercado abre e SHIT3 registra seu preço de abertura. Esse preço é resultado de um leilão e absolutamente nada garante que a sua ordem será executada nesse valor. Se por acaso esperarmos o leilão acabar para colocar a ordem no valor de abertura corremos o risco do preço disparar ou despencar e nada da ordem ser executada. Em Back Test isso nunca ocorre… puxa…
2 – O stop de perda que gerencia o risco de 2% deve ser colocado assim que acontece a compra. Mas como diabos você vai saber o preço da mínima daquele dia se o dia nem está perto de acabar?? Haverá um preço mínimo referente aos poucos minutos de negociação já realizada, mas não foi isso que você testou com os dados históricos. Em Back Test isso nunca ocorre… nossa…
3 – No stop que define o objetivo de venda temos o mesmo problema. Basear-se no preço de fechamento é obviamente impossível, a não ser que esse stop seja definido somente no dia seguinte. Embora de consequências menos desastrosas, ainda assim o conceito estará errado. Surpresa! No Back Test você achou que estava tudo lindo!

As confusões nas regras acima acontecem e são “normais” pois as informações necessárias existem em todos os pregões apenas quando analisamos bases históricas e surge então a ilusão de que elas estarão lá no momento da operação em tempo real.

Para Onde Ir Agora?
Não sei bem como ir. Mas vai ser bem diferente dessa vez!
Apesar do exemplo de Trade System acima ser geni… err, tosco e não operável, fica claro o tipo de armadilha que pode-se cair quando realiza-se o famigerado back test em dados históricos. Quem já se aventurou nesse mundo cometeu, em algum momento, um erro desse tipo que camuflado nas planilhas em Excel pode estar invisível até hoje.

Sistemas com regras fixas são excelentes e ainda falarei muito deles. Mas a saga em busca das operações sistemáticas começa com a definição de um conjunto de regras baseadas no dia-a-dia da operação:

Imagine o preço se movendo em tempo real. Verifique se suas regras são realmente operáveis na vida real e só depois abra o Excel para avaliar as resultados.

Com esse artigo iniciei a discussão sobre Trade Systems. Embora de conceito simples, eles escondem muitos detalhes e singularidades, principalmente na hora de serem avaliados.

Nos próximos artigos falarei mais sobre o desenvolvimento e teste dessa ferramenta e aos poucos introduzir conceitos como portfolio-backtesting, simulação de Monte Carlo, e uma série de estatísticas úteis para medir a confiabilidade de um Trade System.

 Fonte: http://www.senhormercado.com.br/como-criar-e-avaliar-trade-systems/

Comentários

  1. Sim, percebi um tom ironico caracteristico do senhormercado, no ultimo post sobre preço Médio. Parabens Fernando, continue sendo humilde e fazendo o ótimo trabalho que faz.

    Grande abraço

    Ricardo

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    Respostas
    1. Boa tarde Ricardo,

      Obrigado pelo comentário. O site do "Senhor do Mercado" (www.senhordomercado.com.br) é simplesmente excelente.

      Estou realmente buscando uma linha mais descontraída de avaliar questões no mercado financeiro. A ideia de que investimento em renda variável é algo complicado e para poucos deve ser desmistificada.

      Forte Abraço,

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